Como o índice transforma notificações em decisão
Consolidação do SINAN/OpenDataSUS por município e agravo, com o denominador populacional do IBGE e a idade de cada fonte declarada.
O que comparar entre municípios
A incidência por 100 mil habitantes (incidencia.por_100k) é a única medida comparável entre municípios de portes diferentes. risk_score é soma ponderada de contagens absolutas e, medido nesta base, tem correlação de 0,82 com a população: ordenar por ele responde "onde há mais casos", não "onde é pior".
A taxa nunca é publicada sozinha. Abaixo de 10.000 habitantes um único caso move a incidência o bastante para desestabilizá-la, então esses municípios vêm com a taxa marcada e ficam abaixo dos confiáveis na ordenação — publicados, nunca suprimidos em silêncio. População estimada pelo IBGE (SIDRA 6579).
Como o nível de risco é calculado
Cada agravo tem o seu próprio perfil de risco e o seu próprio nível. O nível do município é o pior nível entre os agravos dele — não há fórmula aplicada sobre a soma, porque somar dez agravos e cinco anos-fonte num só número deixava 24,3% dos municípios em "crítico" e a variável parava de discriminar.
nivel_risco considera todos os anos-fonte: é gravidade histórica. nivel_risco_fonte_atual olha só os agravos cujo arquivo é do ano corrente, e é ele que responde "exige ação agora?". Quando o histórico é mais grave, o painel diz.
- Dengue:
casos_provaveis + 4*sinais_alarme + 8*casos_graves + 20*obitos + 2*hospitalizacoes - Febre de Chikungunya:
casos_provaveis + 4*sinais_alarme + 8*casos_graves + 20*obitos + 2*hospitalizacoes - Zika:
casos_provaveis + 4*sinais_alarme + 8*casos_graves + 20*obitos + 2*hospitalizacoes - Febre Amarela:
2*casos_provaveis + 30*obitos - Leptospirose:
casos_provaveis + 6*sinais_alarme + 12*casos_graves + 25*obitos + 4*hospitalizacoes - Meningite:
2*casos_provaveis + 12*casos_graves + 35*obitos - Acidentes por Animais Peçonhentos:
casos_provaveis + 5*sinais_alarme + 10*casos_graves + 20*obitos + 2*hospitalizacoes - Botulismo:
4*casos_provaveis + 20*casos_graves + 35*obitos + 8*hospitalizacoes - Toxoplasmose Congênita:
casos_provaveis + 20*obitos - Toxoplasmose Gestacional:
casos_provaveis + 20*obitos - Hanseníase:
casos_provaveis + 20*obitos
Nem toda fórmula usa todos os termos
A fonte de cada agravo traz campos diferentes. O arquivo da Zika tem 38 colunas e nenhuma de sinal de alarme ou gravidade; o da Dengue tem 121, com 24 delas. Quando a fonte não traz o campo, o termo correspondente da fórmula fica sempre zero — e o score da Zika acaba sendo, na prática, apenas a contagem de casos.
Nesta carga: Botulismo: sem sinais de alarme; Febre de Chikungunya: sem casos graves e sinais de alarme; Hanseníase: sem casos graves, hospitalizações, óbitos e sinais de alarme; Meningite: sem hospitalizações e sinais de alarme; Toxoplasmose Congênita: sem casos graves, hospitalizações e sinais de alarme; Toxoplasmose Gestacional: sem casos graves, hospitalizações e sinais de alarme; Febre Amarela: sem casos graves, hospitalizações e sinais de alarme; Zika: sem casos graves, hospitalizações e sinais de alarme.
doencas[].sinais_sem_dados declara isso em cada agravo. Scores de agravos com lacunas diferentes não são comparáveis entre si, ainda que a fórmula impressa ao lado seja a mesma. E um zero nesses campos pode significar "não houve" ou "a fonte não traz": consulte a lista antes de afirmar ausência.
Quanto de "caso provável" ainda está em aberto
casos_provaveis é notificações menos descartados — a definição padrão do SINAN. Mas parte desses casos ainda não foi investigada, e a fração varia muito: Hanseníase 100%, Dengue 22%, Febre de Chikungunya 18%, Zika 14% — no conjunto, 23% dos casos prováveis.
Isso é normal em dado recente, porque o encerramento é assíncrono. O que importa é a consequência: casos_provaveis é o numerador da incidência, então agravos com frações pendentes muito diferentes produzem incidências que não estão na mesma escala. doencas[].composicao declara isso em cada agravo.
E casos_descartados igual a zero, hoje o caso de oito dos dez agravos, costuma significar "nada encerrado ainda" — não "nada descartado".
Três relógios, que não podem ser confundidos
- Carga — há quanto tempo o serviço buscou dados. É falha operacional do serviço, não fato sobre os municípios.
- Fonte — de que ano é o arquivo daquele agravo. O relatório reúne anos diferentes por agravo: hoje, 3 de 10 têm arquivo do ano corrente.
- Recência — até quando o município notificou, medido dentro da fonte daquele agravo. É o único dos três que é fato epidemiológico sobre o município.
Um agravo com sinal recente cuja fonte é de 2022 continua sendo dado de 2022. Confira fonte.ano antes de datar qualquer afirmação.
Fontes carregadas nesta instância
- Dengue: 449.101 registros, arquivo de 2026.
- Febre de Chikungunya: 124.169 registros, arquivo de 2026.
- Zika: 11.267 registros, arquivo de 2026.
- Febre Amarela: 110 registros, arquivo de 2025.
- Leptospirose: 27.509 registros, arquivo de 2024.
- Meningite: 20.635 registros, arquivo de 2022.
- Botulismo: 37 registros, arquivo de 2024.
- Toxoplasmose Congênita: 6.600 registros, arquivo de 2023.
- Toxoplasmose Gestacional: 15.023 registros, arquivo de 2023.
- Hanseníase: 30.114 registros, arquivo de 2023.
Granularidade
A granularidade processada é sempre municipal. Nomes de bairro e distrito de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife são resolvidos para o município oficial, e a resposta traz filtro_localidade com a origem da consulta. Alguns nomes existem em mais de uma cidade suportada: informe a UF para escolher, ou leia o bloco de ambiguidade que a resposta devolve.
Não infira contagem por bairro a partir de dado municipal.